quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

sem mais

o Blog está, por fim, desativado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ode

Abro um longo parêntesis para brindar (com vinho e leite moça) as intensas amizades que vivo. A cada amigo que conquisto, é como se encontrasse um pedacinho de mim em outra pessoa, ou quando percebo que posso compreender o pior vício e transformá-lo numa suave virtude. Eu imagino que morreria aos poucos se meus amigos, por desatino, me abandonassem. Como viver sem o cheiro deles, sem o som das suas risadas, sem seus conselhos de querer bem? Não que só existam coisas lindas e maravilhosas numa grande amizade... mas são essas que ficam, que sinto em relevo mais alto. Levar aquele alto papo depois de meses sem se ver, ler no rosto e nos olhos o quanto a pessoa mudou nesse tempo, perceber que suas meninas são grandes mulheres, agora. Existem poucos amigos que cultivo como tulipas no meu campo social infértil, fazem parte do meu círculo de confiança, do qual eu não escondo nada, consigo ser eu mesma até a última gota.

Quero celebrar e lembrar (já com saudades) de como é gostoso passar um tempo só com as amigas, conversando amenidades, fazendo graça até do velho que me flertou no shopping.

Um abraço feito música para todos os amigos que já estão em mim...

sábado, 30 de agosto de 2008

Três e muita, bastante, excessiva prolixidade

Escrever um texto para o blog.
É isso que eu devia fazer, porque as coisas andam abandonadas por aqui.
Mas cadê a idéia?
Tenho andado abandonada. Mas quem vai me reescrever e me trazer um copo d'água?
As palavras são nossas partes internas cuspidas ou são os blocos que nos formam? Elas agrupam-se para nos dar origem ou nós a possuímos e elas simplesmente precisam escapar?


Uma flor na mochila da garota mais simples da classe; um engano; 1+1=3.
Ana encontrou uma margarida no bolso da mochila verde. A flor estava meio machucada, mas isso lá importa?! Bom mesmo era saber que o Marcos podia ser tão carinhoso com ela. E com certeza, aquilo era obra do Marcos. Ela achou que os olhares incesantes, na fila da cantina, finalmente tinham sido notados. "Ai, logo, logo vou estar namorando o menino mais bonito e talentoso da turma." Ela pensava tão alto que o Júlio, sentado na mesa ao lado, ouvia suas aspirações.
A aula acabou e todos foram saindo.
Ana foi atrás de Marcos.
Júlio, com lágrimas nos olhos, seguia a Ana.
Marcos passou na sala ao lado para pegar suas baquetas, em seguida deu um beijo em Laura e partiram abraçados.
Ana não sabia o que fazer. Quis chorar, mas por qual motivo? Ela não ia chorar por causa de uma flor entregue por um desconhecido. Ana era uma menina forte.
Talvez fosse essa força, o cabelo preto, a cor pálida e a timidez, que encantavam o Júlio desde a 3ª série e que o impulsionou a roubar uma margarida e pôr na mochila verde. "Eu preciso falar com ela!"
Marcaram de se encontar na casa dela, a tarde.
Ele parecia contar os segundos através dos seus batimentos cardíacos.
Ela só respondia o exercício de casa.
Três da tarde.
Ela abriu a porta e Júlio só pôde ver a margarida que ela tinha presa ao cabelo.
Conversaram muito e Júlio até esqueceu do que deveria falar. De repente Ana diz: "Você é um amigo incrível. Obrigada por tudo!".
Amigo?
Júlio não entendeu que Ana jamais namoraria um inimigo.
Sim, ela gostava dele. Gostava desde que ele havia se mudado para a casa ao lado. Mas ele não sabia disso.

Você está certo, leitor. Essa é mais uma daquelas histórias melosas e sem graça. Eu sei, eu sei...deveria ter mais criatividade. Tempos atrás eu criaria um final decente e não açucarado pra esta trama, mas agora...

Júlio deixou escorrer uma lágrima e não conseguiu segurar as outras.
Ana abraçou-o, dizendo: "Não chore meu amor, porque senão choro também, já que tudo que sempre quis foi estar como agora, cuidando de você.
Júlio, ainda chorando, levantou-se, olhou nos olhos de Ana...

Ah, não...pára com isso! Por menos criativa que eu esteja não posso deixar o texto acabar assim, tão brega. Prefiro dizer que Júlio e Ana juntaram as coisas que ela escrevia, com a música que ele tirava no violão. E juntaram muito mais que isso, mas só quem já amou e calou pode entender. Já não sei mais o que escrever, então o texto fica assim. É só isso. Nada mais.

sábado, 31 de maio de 2008

Você é o que você tem fome

Na esperança da revolução redentora, a palavra de ordem era pescar. Dar o peixe era o pecado assistencialista, que retardava o processo revolúcionário. Hoje sabe-se: o capitalismo não acaba com a miséria. O socialismo também não. Não há mais sonho nem utopia. Resta apenas a concretude tenebrosa da miséria. Mas é importante compreender: a sociedade que muda o Estado, não o contrário. O cidadão morrerá, como tem morrido mulheres, se alguém não lhe der comida.
(Alcione Araújo, Caderno FOME)
Eu nunca senti fome na vida, mas acho que deve ser muito triste.
(Adriana, 12 anos, revista Veja, 5/9/1993)

Abrindo aspas para mim:
Você pode engolir tudo, mas digerir a fome, nem seu corpo deixa ser possível. Ah, que fique bem claro... a postagem não é só pra não dizerem que eu só falei das flores. É porque, além de intragável, esse assunto me dá náuseas, coloca rios nas minhas pupilas, me deixa absurdamente inquieta.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Nem lhe conto!

Uma historinha simples
Nasce em forma de flor.
Passarinho assovia,
o céu lhe olha,
e nada mais é tão amor.

Abra os braços e faça-se cruz
sinta o ar dentro de si.
Borboletas amarelas brotam
abaixo do peito.

O samba toca,
toca na ciranda,
enrubesce no gingar,
mas voe junto às borboletas,
com os pés balançando,
a rodopiar.

domingo, 20 de abril de 2008

Semblante do espírito

Havia um cheiro forte de naftalina no ar, beirando nas arestas brancas do cômodo.
Ela olhava as roupas envelhecidas pelo tempo e lembrava de cada momento que havia passado com elas. Uma idéia lhe subiu a cabeça: vestir as roupas novamente! Começou por aquela meia calça, que hoje é fora de moda, vestiu sutilmente as pernas. Olhou-se no espelho, e viu uma ruga no rosto que ainda não tinha reparado.Talvez estivesse velha demais pra vestir essas roupas que apertavam as suas carnes. E fazia algum tempo que ninguém a apertava.
Ela queria despir-se. Despir a própria alma, de novo. P'ra sentir no âmago o dilacerar sem dor.Tirou peça por peça. Foi tirando cada uma das almas alheias que lhe possuiam, até restar a sua própria alma, que infelizmente (ou felizmente) não poderia abandonar.E ela gritou, como se sentisse dor e alívio. Susurros invadiram aquele cômodo-naftalina.

Restou o cru, nu. Restou o que sempre faltou do lado de fora. Nunca sentiu-se tão bela.
O espelho falou-lhe em ausente som:
- Não consigo refletir com exatidão uma alma tão verdadeira.
Desejou mostrar às pessoas o quanto era bonita. Teve ímpetos de sair assim, nua. Mas quem seria capaz de ver o que estava na alma? Será que ele um dia teria sido como aquele espelho?! Fechou os olhos para conter a lágrima. E encarou-se de novo, afundou-se nas próprias pupilas. Se um dia ele já foi como aquele espelho, ela nunca saberia.
Aproximou-se do espelho e foi vendo a sua pupila aumentar de tamanho. Sentiu a lágrima cair no corpo desnudo e causar arrepios. Estava na hora de vestir a roupa, mas não de calçar as antigas almas. Estas nunca mais seriam daquele corpo, e aquele corpo jamais seria o dela.


(Camila Vivas e Juliana Freitas)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Engasgando espinhos

Asssiti uma entrevista essa semana no programa "Scrap Mtv", com uma blogueira que esqueci o nome, dona de um blog que não conheço. Mas o que importa é que ela disse uma coisa que faz bastante sentido, e que eu já havia pensado várias vezes. O blog expõe muito a nossa vida, e faz uma certa confusão com os nossos relacionamentos afetivos. Os nossos namorados, "ficantes", aspirantes, "queixantes", enfim... pessoas que tem/tiveram/terão algo conosco (blogueiros) podem ter interpretações erradas ou certas sobre o que escrevemos. Aliás, é difícil para nós entendermos se o que escrevemos é ficção ou não... e p'ra eles creio que essa distinção torna-se quase impossível. Estou certa de que algum ex meu já leu algo que escrevi pensando que é sobre ele, e realmente pode ter sido, ou não.
Eu misturo ficção com realidade, certos momentos, mas em outros eu chego a contar os fatos amiúde. Não sei o que ele/eles pensam sobre isso, se sentem-se ofendidos com a exposição, ou se o ego eleva-se, achando que a importância que dou ao fato é grande. Deu p'ra ter uma noção da confusão que isso gera? Não sei...talvez eu até "perca" algum pretendente ao escrever algo saudosista aqui no blog.
Divagações à parte, o fato é que a exposição acarretada com esses escritos não me importa tanto. O que eu penso é para ser escrito, e o que eu escrevo é para ser lido. Dores de cotovelo e aspirações à parte, o fato é que isso aqui é um pequeno pedaço de minha alma impressa numa rede. O que é ficção é para ser acreditado, e o que é concreto pode ser sonhado.